Matéria na Revista Absoluta - Julho de 2007

Revista Absoluta

Hálito Prejudicado

A halitose é sintoma de desequilíbrio orgânico e pode ser combatida

A repulsa por odores desagradáveis écomum ao compor­tamento humano levou a criação de costumes hábitos de higiene, como o ato de escovar os dentes e tomar banho. Alguns desses odores não são facilmente percebidos pela própria pessoa e podem levar a uma disfunção das relações sociais, como ocorre com a halitose. O mau hálito não é uma doença, mas, sim, um sintoma de que algo no organismo está em desequilíbrio, precisa ser identificado e tratado.

Existem mais de cinqüenta causas catalogadas para o odor ruim exalado pela boca e as mais comuns são; presença de saburra lingual (placa amarelada ou esbranquiçada localizada no fundo da língua), gengivite, periodontite, baixa produção de saliva, feri­das cirúrgicas, cáseos amigdalianos (pequenas bolinhas que se formam no interior das amídalas), afecções da garganta e, raramente, sinusite, diabetes, jejum prolongado, ingestão de alimen­tos odoríferos, entre outros. Ao contrário do que pensa o senso comum, o estômago não é o grande responsável pela presença do mau hálito, já que o mesmo pode provocar halitose somente em casos específicos, que correspon­dem a menos de 0,1 % do total.

Segundo o cirurgião dentista Dr. Maurício Duarte da Conceição, o portador de halitose pode ter sua vida social, profissional e afe­tiva afetadas. "A pessoa porta­dora adquire inúmeras altera­ções comportamentais, como, por exemplo, usar chicletes ba­las o tempo todo, falar menos e evitar falar de perto, o que afeta sua segurança e auto-estima, chegando até a isolar-se no meio em que convive", explica ele. O diagnóstico éfeito com a ajuda de um questionário que avalia todo o histórico médico e odontológico do paciente, os hábitos alimentares, de ingestão de líquidos e de higiene oral, além deexames detalhados que analisam a boca, a saliva e os gases que alteram o hálito.

O tratamento da halitose consiste basicamente em se detectar as causas e controlá-las ou até eliminá-las. 
"Ao encontrar as causas, chega-se a um resultado excelente. Além disso, dá-se um enfoqueespecial para tratar as alterações de comportamento decorrentes do mau hálito, pois, tão importante quanto ter um hálito agradá­vel, é recuperar a segurança, auto-estima e espontaneidade, abaladas por conviver por anos com o problema", afirma o dentista.

No intuito de auxiliar o tratamento, alguns produtos foram Desenvolvidos, como limpadores de língua com e sem escova, spray de limpeza da língua, kit para medir a produção de saliva e um tipo de enxaguatório que evita a formação dos cáseosamigdalianos. 

Para prevenir o aparecimento do mau hálito, algu­mas dicas são importantes: a higiene bucal deve ser bem feita, in­cluindo escovação, uso do fio dental e limpeza da língua; o uso deenxaguatório com álcool deve ser evitado; evitar jejum prolon­gado; ao primeiro sinal de sangramento gengival, procurar um dentista; comer com moderação alimentos com alto teor de pro­teína, gordura animal e teor de enxofre, frituras e tomar pelo menos dois litros de líquidos por dia.